Matéria de hoje da Folha de São Paulo revela que uma das unidades do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) está de portas fechadas no Pará. Trata-se, exatamente, do posto de Anapu, que foi criado depois da morte da missionária Dorothy Stang, assassinada sete anos atrás, em uma área de conflito em que vivem 2,4 mil famílias. Com o posto fora de funcionamento, a fiscalização e o cadastro de famílias interessadas no assentamento foram suspensas.
Segundo o chefe da unidade de Altamira (à qual Anapu está vinculada), Fernando Leal, o posto será reaberto em março. De acordo com ele, os servidores voltaram para suas casas no final do ano passado e o seu regresso depende de despesas que serão aprovadas no orçamento de 2012.
Este blog falou com o deputado federal do PT do Pará, Zé Geraldo, para entender melhor a situação. Ele explica: “O que acontece é que a unidade de Altamira, no passado uma das mais estruturadas, está hoje em fase de reestruturação”.
Há muito por fazer, afirma o deputado. “O que falta é a reestruturação de profissionais, procuradores, com estrutura de transporte e, acima de tudo, com uma nova proposta de assentamento para região”, pontua. De acordo com o parlamentar, essas reivindicações já foram apresentadas ao governo pelos movimentos socais. Uma nova rodada de reuniões a este respeito está marcada para abril.
Belo Monte traz novas demandas
A pressa, inclusive, é resultado da construção da hidrelétrica de Belo Monte, que precisará realocar muitas famílias no Estado do Pará. Nesse caminhar, há avanços. Um deles, apontado pelo deputado, é a unidade avançada de Altamira a 500 quilômetros da superintendência de Santarém. Ela já responde diretamente a Brasília. A expectativa é que ela venha a se tornar uma superintendência.
O deputado ressalta que a reestruturação deva ser feita também com atenção a outras localidades. “Temos regiões diferentes, com realidades diferentes do Pará, que é a única região do Brasil que já tem três superintendências”, conta. Segundo Zé Geraldo, o maior desafio do governo federal é resolver a demanda fundiária na região, cuja raiz do problema remonta há décadas: “Ainda temos seqüelas do tempo da ditadura, do governo Médice”.
(Blog do Zé Dirceu)
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