sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ministro da Fazenda critica política monetária dos EUA

Todo apoio às declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que criticou nesta terça (18.9) a política monetária dos EUA por "criar problemas" para as exportações de países emergentes.

O alvo das novas críticas do ministro é o mecanismo conhecido como "quantitative easing", um estímulo que prevê a compra pelo FED de US$ 40 bilhões em títulos hipotecários por mês para tentar reanimar a economia americana. "Nós estamos preocupados porque (o estímulo) não vai resolver os problemas dos EUA e vai gerar muitos problemas para os países emergentes", disse Mantega, em Paris, após um encontro com o colega francês, Pierre Moscovici.

O ministro disse que o Brasil vai continuar tomando medidas para manter o real desvalorizado. Ao mesmo tempo, o governo continua tomando outras medidas de defesa comercial dos nossos produtos, trabalhando pela redução dos juros – a Selic, taxa básica de juros fixada pelo Banco Central já caiu ao seu menor patamar histórico desde quando foi instituída –, dos impostos, do custo da energia, que é um dos pontos que estão sendo atacados para reduzir o chamado custo Brasil.

A medida, anunciada pelo FED na semana passada, tende a afetar a competitividade da economia brasileira porque o excesso de dólares em circulação pode causar a valorização do real, tornando os produtos brasileiros mais caros no mercado global. "Com a desvalorização do dólar, nós perdemos competitividade. Nós temos bons preços, mas as nossas exportações podem ser afetadas porque as moedas são manipuladas por outros países. Nós continuaremos a tomar as medidas para manter o real desvalorizado", disse Mantega. 

O ministro também expressou preocupação com a corrosão das reservas internacionais do Brasil, a maior parte delas em dólar, se houver forte depreciação da moeda americana. Mantega ligou a injeção de mais dinheiro na economia americana ao processo eleitoral no país. A eleição presidencial é em 6 de novembro. "Para resolver o problema da crise imobiliária, os EUA precisam fazer mais estímulos fiscais e menos estímulos monetários. Há os problemas políticos lá e pode ser que após as eleições eles mudem essa estratégia", disse o brasileiro. (Blog do Zé Dirceu)

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