segunda-feira, 7 de maio de 2012

O significado maior da vitória da esquerda na França

As eleições na França neste domingo (ontem) - o 2º turno consagrou presidente o candidato da esquerda, François Hollande (Partido Socialista - PS) - praticamente consolidam uma tendência em toda a Europa: agora o Velho Continente se inclina para a esquerda. Tendência, aliás, confirmada ainda ontem na Grécia, que também teve eleições legislativas (que, lá, formam o gabinete parlamentarista), nas quais o Syriza fez 16,5% e os comunistas chegaram a 8,4% dos votos. Juntos, os dois partidos principais da esquerda grega fizeram, portanto, 25% dos votos.

Na Grécia, socialistas e conservadores naufragaram. Como se vê por esta tendência confirmada pelas urnas gregas e francesas, não há mais apoio eleitoral a governos que compactuem ou apoiem políticas da Troika (FMI, Banco Central Europeu - BCE e União Europeia - UE).

O repúdio é generalizado aos governos recém eleitos - como os da Espanha e Portugal - e à imposição e aceitação (pelos governos que se vão) de falsas saídas via austeridade (fiscal e corte de gastos) que só endividaram ainda mais os países europeus para salvar os bancos.

Decididamente essas saídas já não têm apoio popular e nacional. As urnas deste domingo abriram caminho a políticas alternativas que terão seu primeiro teste real na França onde os socialistas derrotaram o principal aliado da Alemanha, Nicolas Sarkozy, o presidente da direita que tentou a reeleição, perdeu e sai agora dia 15.

Aliás, a derrota de Sarkozy sucede a outra da direita, a de Sílvio Berlusconi, há pouco na Itália, e vem depois de naufrágios da direita francesa e germanófila em eleições regionais. Nem mesmo a chanceler Ângela Merkel deve vencer o próximo pleito alemão.

PT tem proximidade histórica com esquerda vencedora na França

Tudo indica que uma coalizão vermelha e verde pode sucedê-la. Para o Brasil a vitória do PS francês, com quem o PT tem proximidade histórica (apesar de nossa excelente relação com Jean Luc Melanchon, que apoiou com entusiasmo a Hollande) facilitará o diálogo e a troca de experiências no enfrentamento da crise europeia que tem reflexos diretos em nosso país.

Além de tentar vencer e formar maioria na Assembleia nacional nas eleições deste meio de ano, o grande desafio do novo presidente François Hollande agora não será apenas mudar a política francesa com relação à austeridade, mas mudar a política europeia, sem o que nada se alterará.

Ele terá de começar convencendo a primeira-ministra Merkel, ou se aliando a um novo governo social democrata-verde quando este começar em Berlim. É sua única saída para mudar toda política da troika FMI-BCE-UE, deixando para trás a política exclusivamente de cortes e mais cortes para salvar os bancos, que levou à crise atual a Europa governada por conservadores agora derrotados um a um nas urnas. (Blog do Zé Dirceu)

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