domingo, 4 de dezembro de 2011

Artigo: Ter consciência para ter coragem: "Vamos puxar a linha do horizonte e construir o poder popular"

“Quem tem consciência para ter coragem / Quem tem a força de saber que existe / E no centro da própria engrenagem / Inventa a contra-mola que resiste” / Secos e Molhados

A música “Primavera nos dentes”, lançada em 1973 pelo grupo musical Secos e Molhados, já anunciava duas importantes características para o embate com o sistema capitalista. Primeiro a necessidade da consciência social e política do sistema em que vivemos e do papel transformador de cada individuo, segundo que esse entendimento deve servir a uma resistência na engrenagem capitalista. Para nós esses enunciados são atuais para a luta política no Brasil e no mundo. Em tempos de crise do capitalismo e da economia exploradora, temos uma grande oportunidade de construir novas perspectivas que dialogam com as expectativas de um mundo justo, igualitário e mais livre, um mundo socialista.

No Brasil, temos no plano federal um projeto comprometido com as causas e anseios populares, um projeto democrático e republicano, que conseguiu frear o avanço neoliberal no país. Entretanto, em alguns estados, temos governos extremamente autoritários e antidemocráticos, baseados em projetos elitistas, em contramão ao desenvolvimento sustentável e emancipador de nossa sociedade.

Goiás é um desses estados, onde o governo prioriza estreita relação com a parcela do “controle econômico”, praticando a política de serventia a esse setor.

Inventar a contra-mola que resiste é o grande desafio que está colocado para as forças progressistas e de esquerda em Goiás. Porém para essa resistência ter força capaz de neutralizar a política em andamento, é fundamental a consciência coletiva de nossa população.

Dessa forma, a disputa de hegemonia conceituada por Antonio Gramsci, Partido Comunista Italiano, na década de 40, é contemporânea com desafios da esquerda no nosso estado. A luta por uma política governamental diferente se dá na disputa do poder “tradicional” (governos e parlamentos), mas, sobretudo da consciência das pessoas, da opinião pública.

Para travar essa disputa precisamos de política/conteúdo programático, comunicação/constante apresentação de alternativas ao modelo colocado e presença cotidiana na vida das pessoas, ou seja, mobilizações, pressão, disputa real de projeto político.

Essa partida entre dois projetos diferentes precisa estar nítida para o povo, e não podemos sobrecarregar mandatos e governos com essa tarefa. Esse é um trabalho militante, social, coletivo, que necessita de outros atores para engrossar o caldo da boa política.

O PT e os aliados progressistas, como condutores de um projeto político diferenciado para o povo de Goiás, precisam extrapolar o campo administrativo, o qual damos exemplos muito bem sucedidos como Goiânia e Anápolis, e iniciar uma atuação mais incisiva no meio social. Universidades, associações de bairros, sindicatos, são espaços onde deve se pautar a crítica a esse modelo de gestão do Estado levada pelo PSDB. Um modelo que leva à concentração de renda, à exclusão social, à mercantilização da educação, de terceirização do setor público, enfim, é um modelo nocivo de gestão pública.

A luta pela aplicação constitucional dos 25% do orçamento na Educação, por uma UEG forte e capaz de produzir conhecimento, a luta contra a venda das riquezas de nosso estado, por mais investimentos na saúde, por qualidade de vida de nossa juventude, são algumas das bandeiras que podem travar um bom debate com a população de qual é o projeto que queremos a frente da gestão pública em Goiás.

Mas isso tudo é fundamental para um projeto estratégico de construção do poder popular. Mais do que administrar governos, deve fazer parte do horizonte da esquerda a emancipação plena de nosso povo. Consciência deve ser tão importante quanto a emancipação econômica. Valores socialistas devem ser pauta diária de nossas bandeiras.

Aliás, quem sabe um dia chegaremos em um nível de participação social na política e de compreensão político-cultural da nossa população, onde esta ditará as diretrizes dos investimentos públicos e do funcionamento estatal. Quem sabe um dia chegaremos numa sociedade com poder popular, onde a voz e a força do povo sejam capaz de dirigir a política, a economia e dar contornos a uma nova cultura.

Tales de Castro - Assessor do diretório nacional do PT e secretário estadual da Juventude do PT de Goiás

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